Na última semana tenho focado minha atenção para os fatos ocorridos no Rio de Janeiro. Procurei colocar mais fotos, em um primeiro momento, para somente hoje comentar o tema.

O “movimento” por melhoria salarial já estava na rua há muito tempo. A sociedade já vinha sendo convidada a participar dessa luta. A invasão do quartel foi resultado da intransigência do lado que detém o poder, isso é um ônus da democracia.

Não há dúvidas de que o Corpo de Bombeiros é uma das Instituições mais bem aceitas pela sociedade. São vistos como heróis, salvam vidas em seu cotidiano. São próximos das comunidades onde vivem, mesmo havendo desmandos internos como ocorre em nossas Corporações policiais. Possuem a facilidade de não estarem diretamente ligados ao controle moral e jurídico. Isso facilita muito as coisas.

Vejo a cada dia o fortalecimento da reforma policial no Brasil, desde 2007 com o filme Tropa de Elite esse discurso toma corpo. Alguns países na América Latina já passaram por esse processo. Será algo natural em nosso país, mesmo que seja por inércia, pois um corpo em movimento tende a permanecer em movimento. Haverá a reestruturação das políciais nos próximos quinze ou vinte anos, não tenho dúvida!

Hoje pela manhã comentava com um coronel, conhecedor do tema, professor, atualmente em viagem ao exterior, que vejo essa “marcha dos bombeiros” como um possível marco histórico, no que se refere a reforma policial no Brasil. É possível que tenhamos uma primeira reforma, onde os Bombeiros Militares sejam retirados da “vala comum dos policiais” e sejam elevados a uma categoria especial. Após isso é possível que tenhamos uma segunda reforma ou “contra-reforma” onde realmente será vista a nossa situação enquanto policiais.

Não temos mais espaço no Estado Democrático de Direito para questões como a não sidicalização, proibição de filiação partidária, prisões disciplinares, desigualdades internas gritantes, dentre outros fatores. Muita coisa será revista nos próximos anos. É preciso uma grande revisão das nossas legislações, ou seja, em tese, uma grande unificação de normas e procedimentos policiais. Tanto para as polícias civis, quanto para as “militares”.

Sem querer exagerar, mas vejo a marcha de ontem, semelhante ao marco histórico da “marcha tenentista”. Houve uma grande ruptura naquela época. É possível que os líderes do movimento não tenham a visão da importância de tal marcha. Cabe a nós fortalecer esse movimento! A grande revolução da comunicação virá por meio dos Blogs, a reforma policial no Brasil também! Creio nisso!

Um ponto interessantíssimo nos vídeos que assisti foi a semelhança com a luta pelos direitos civis nos Estado Unidos, onde um pastor comandou uma revolução em seu país, com príncipios do não enfrentamento e da não violência. O discurso religioso fortalece e unifica. Não estou falando de religião, estou falando de religiosidade. Nesse movimento o líder foi e sempre será “Jesus Cristo”! Um movimento como esse, com um líder como esse, jamais dará errado!

Saiba mais:

A COLUNA PRESTES + TENENTISMO

Por: Jailson Marinho

A “Grande Marcha” de 1925 a 27 foi o ponto culminante de um movimento militar, denominado de Tenentismo. Esse movimento armado visava derrubar as oligarquias que dominavam o país e, posterirormente, desenvolver um conjunto de reformas institucionais, com o intuito de eliminar os vícios da República Velha.
A organização politica republicana baseava-se na estrutura agrária existente, onde a sociedade rural estava enquadrada política e eleitoralmente pelos mecanismos de mandonismo local, dentro de um sistema marcado pelos currais eleitorais. Dessa maneira, os grupos urbanos estavam marginalizados efetivamente da vida política do país.Apesar de formado por uma minoria da sociedade, as camadas urbanas conheciam um processo constante de crescimento, que havia se acentuado principalmente com a 1° Guerra Mundial. Militares, funcionários públicos, operários, pequenos proprietários e trabalhadores em geral, formavam uma camada média crescente, com direitos políticos garantidos, mas na prática excluída do poder.O descontentamento com tal situação processou-se de diversas maneiras, destacando-se o movimento operário e o tenentismo
O movimento tenentista reflete ao mesmo tempo a crise da República Velha e seus tradicionais métodos de manipulação do poder, como também as peculiaridades da instituição militar, melhor definida politicamente desde o governo Floriano Peixoto.Desde o final do século XIX pode-se perceber um movimento no interior do exército promovido pelos militares “florianistas”, que consideravam o exército como o verdadeiro responsável pela implantação da República no país.Essa tendência reforçou o sentimento de corpo dos militares que, a partir do governo de Prudente de Morais, passaram a ocupar um lugar secundário na política nacional. Sem poder político efetivo, porém organizados dentro de uma instituição centralizada, parte dos militares enxergava a república se corromper pelos políticos civis, que haviam se apropriado do poder.

Apesar desse sentimento de corpo e a uma certa oposição a política desenvolvida pelos coronéis, não foi o exército como um todo que participou das rebeliões que ocorreram na década de 20.

O movimento armado foi organizado principalmente pelos tenentes e contou com a simpatia e a aprticipação de elementos da baixa oficialidade (sargentos, cabos e soldados) enquanto que a cúpula militar se manteve fiel a “ordem”.

De uma forma geral considera-se o movimento tenentista como elitizado, na medida em que considera que apenas o exército é capaz de eliminar os vícios da República e dotar o país de uma estrutura política e administrativa moderna.

Apesar de terem um padrão de vida igual ao da classe média e em parte refletir o mesmo descontentamento frente ao poder, os tenentes não podem ser considerados como representantes desta camada, primeiro por não pretender organiza-la, segundo por que possuíam um “espírito de corpo”, com características bem peculiares, reforçando os intereses intrínsecos desse grupo social.

No inicio de abril de 1925, as forças gaúchas comandadas pelo capitão Luís Carlos Prestes se uniam com as tropas que fugiam de São Paulo. Os dois grupos haviam participado das rebeliões do ano anterior, mantiveram focos de resistência e procuravam manter e fortalecer sua organização, para retomar a luta pelo grande ideal: Salvar a Pátria.Depois de convencer os líderes paulistas da possibilidade da vitória contra o governo e as tropas fiéis a ele, Prestes iniciou a longa marcha afastando-se do país. A coluna atravessou o Paraguai no final de abril e voltou ao país através do Mato GrossoDo Mato Grosso, passando por Goiás, a coluna dirigiu-se para o Nordeste, atingindo o Estado do Maranhão no mês de novembro de 1925, chegando logo depois a ameaçar diretamente a cidade de Teresina.Na região nordeste os rebeldes percorreram praticamente todos os estados, chegando a ameaçar efetivamente a cidade de Teresina. Em todos os momentosa maior resistência virá das forças arregimentadas pelos coronéis.As tropas que combateram a Coluna eram bastante diversificadas, mostrando a disposição do governo e dos latifundiários em eliminar esse foco de rebelião.

O exército, as policias estaduais, jagunçoa dos coronéis e eventualmente cangaceiros participaram do combate à Coluna Prestes.”Nos Estados economicamente poderosos (as oligarquias) constituíam forças policiais organizadas como pequenos exércitos; nos Estados economicamente fracos, armaram os próprios exércitos privados dos latifundiários.

Sobre esses dois suportes é que assentou o combate aos revolucionários tenentistas, desde que estes empreenderam a arrancada pelo interior, com a Coluna Prestes .”A grande marcha realizada pela Coluna por vários estados do Brasil não conseguia efetivamente atrair a simpatia da opinião pública; apenas em algumas ocasiões cidades ou grupos de homens apoiaram o movimento e até mesmo passaram a integra-lo.

A idéia de que o movimento cresceria em número e em força ao longo da marcha foi se desfazendo durante o trajeto na região nordeste. Num meio físico hostil, ilhada pelo latifúndio, não achou nas massas do interior o apoio necessário e alentador.

Apesar dessa significação profunda que adquiriu a Coluna, de ser ela, na expressão dos revolucionários, a chama que mantinha a Revolução, nunca conseguiu mais que uma sensibilização superficial nas grandes massas para as quais dizia voltar-se.
 
Estas não acorreram ao chamado paternal dos “tenentes”, não se colocaram sob sua proteção para, juntos, pôr nos eixos uma República que “nascera bem”, mas que se “desvirtuara” em meio ao caminho.