GDF se assusta com violência e vandalismo durante o Carnaval 2019

De acordo com o secretário de segurança do DF, o governo vai planejar uma nova estratégia para o próximo ano

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MICHAEL MELO/METRÓPOLES

A violência praticada nas ruas da capital da República durante o Carnaval 2019 assustou o Governo do Distrito Federal (GDF). As autoridades locais deram uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (6/3), no Palácio do Buriti, para apresentar o balanço dos últimos dias. O secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, afirmou que os números serão consolidados até o fim desta semana, mas, pela leitura preliminar, o volume de pessoas dispostas a usar a festa como pretexto para destruir o patrimônio público acendeu o alerta vermelho do Executivo.

De acordo com o secretário, o governo vai planejar uma nova estratégia de segurança para evitar que o vandalismo tire a alegria das ruas e desfiles em 2020. Pelo balanço da pasta, foram presos 46 adultos, apreendidos 79 menores e as delegacias registraram 167 termos circunstanciados. Também ocorreram três casos de estupro, mas o governo alegou que nenhum teve relação direta com o Carnaval. Segundo a secretaria de Mobilidade, 64 ônibus e 16 vagões do Metrô foram alvo de depredação em 2019 – contra 58 e 26 casos, respectivamente, ocorridos no ano passado.

Pelo levantamento preliminar da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a festa teve menos mortes do que no ano passado. Em 2018, houve 16 mortes no DF. Neste ano, foram 7 vítimas fatais, mas nenhuma relacionada aos festejos. No entanto, foram registrados diversos casos de violência nos blocos, como no Raparigueiros e no Baratona, que saíram no Eixo Monumental no domingo. O mesmo se repetiu nos grupos que se reuniram no Setor Comercial Sul, onde a festa acabou mais cedo na terça por causa de brigas.

Brigas no bloco Raparigueiros

Apesar dos diversos casos de violência registrados nos últimos dias, o vice-governador encontrou um alento nos números. “Quero ressaltar que tivemos zero mortes no trânsito neste Carnaval”, destacou o governador em exercício, Paco Britto (Avante), durante a coletiva.

Homem esfaqueado é atendido por Bombeiros

Divergência
O governo ainda está consolidando o número total de foliões deste ano. Pelas contas do secretário de Cultura, Adão Cândido, nos blocos pularam aproximadamente 1 milhão de foliões. No entanto, os cálculos dele divergem do divulgado pela SSP nos últimos dias. De acordo com os dados apresentados pela pasta nos canais oficiais do governo, o  Carnaval de rua de Brasília em 2019 teve o menor público dos últimos quatro anos.

Somados os participantes dos três primeiros dias de festa com a previsão inicial para a terça (5), a quantidade dificilmente ultrapassará a marca dos 400 mil. Foram 70 mil no sábado (2), 125 mil no domingo (3) e 70 mil na segunda-feira (4). Na terça, a expectativa era de 135 mil. O total ficou bem abaixo das 760,6 mil pessoas que foram às ruas no Carnaval de 2018. Ainda segundo dados oficiais do GDF, em 2017, 1,5 milhão de foliões curtiram a festa. Em 2016, foram 863 mil.

“É uma diferença de metodologia. Por isso, fizemos um convênio com a Codeplan para termos um estudo detalhado do Carnaval”, justificou Adão Cândido. Para sustentar o público de 1 milhão de foliões nos blocos, o secretário argumentou que foram somados os participantes dos polos de Carnaval do Setor Comercial Sul, do Setor Bancário Norte, do Estádio Mané Garrincha, do Taguaparque e de Planaltina.

Mesmo com o número reduzido de pessoas, o governo admitiu falha na oferta de ônibus na segunda-feira (4), quando muita gente teve dificuldade em ir e voltar ao trabalho. Segundo o secretário de Transporte, Valter Casimiro, a tabela usada foi a de domingo, que tem um menor número de veículos. Ao total, foram colocados à disposição dos foliões 150 ônibus na Rodoviária. Contando todo o sistema (incluindo o Metrô), foram transportados 380 mil pessoas por dia.

Casos de violência
Somente no domingo, o Raparigueiros e a Baratona levaram 90 mil foliões ao Eixo Monumental. A festa, entretanto, foi marcada por cenas de violência. Pelo menos 12 pessoas foram esfaqueadas. Houve ainda brigas, agressões, roubos e furtos.

Policial Militar esfaqueado ao prender um ladrão de celular

Na terça-feira, o palco da violência foi o Setor Comercial Sul. O evento no local terminou mais cedo em razão das ocorrências de problemas com foliões. Por volta das 18h, a Polícia Militar estimava que 10 mil pessoas curtiam a festa no espaço, onde foram registrados vários tumultos. As forças de segurança precisaram usar bombas de efeito moral e até mesmo balas de borracha. Foram várias as intervenções de equipes militares com spray de pimenta e cassetetes.

Com brigas generalizadas a cada cinco minutos, muitos foliões decidiram ir embora no início da noite. Até mesmo ambulantes optaram por encerrar o expediente antes do horário previsto. “Estou vendendo bebidas desde sábado nos bloquinhos e, até então, não tinha visto tanta briga”, disse o vendedor Ricardo Lira.

Nem os ônibus escaparam do vandalismo. Até esta terça-feira, levantamento preliminar apontava 39 coletivos danificados durante as festas realizadas nas diferentes regiões administrativas. Uma série de vídeos – feitos tanto por câmeras de segurança de coletivos quanto por passageiros – mostra pessoas fantasiadas desferindo chutes, murros e fazendo ameaças.

Um jovem de 18 levou um tiro no rosto na estação do BRT na QR 119 de Santa Maria. No momento do disparo, efetuado por um segurança, vândalos quebravam as vidraças do terminal utilizando um martelo de emergência furtado de um ônibus.

Danos também no metrô
Metrô-DF teve nove ocorrências de depredação em trens no sábado, quatro extintores indevidamente acionados, duas janelas quebradas e sete portas danificadas. O estrago ocorreu dias após a companhia lançar a campanha “Hora de cair na folia! Só não vale quebrar o Metrô” para conscientizar os usuários sobre a necessidade de preservar o patrimônio público.

No domingo (3), foram outras 13 ocorrências de depredação em trens e, na segunda, mais oito casos, totalizando 30 no decorrer do Carnaval. A Companhia do Metropolitano ainda vai apurar os prejuízos. Em 2018 também houve danos: as perdas chegaram a R$ 50 mil.

Também em 2018, os dias de Carnaval registraram 58 ônibus destruídos, com prejuízo final de R$ 100 mil paras as empresas concessionárias do transporte público do Distrito Federal. Do total, 10 carros eram da Pioneira; 15 da Piracicabana; 31 da Urbi; e dois da Marechal.

Informações do Portal Metrópoles