Mais um capítulo na queda de braço entre as polícias civil e militar do DF ocorreu nesta sexta-feira (7/4), no Recanto das Emas. Agentes da PCDF acusam três PMs de invadirem uma casa sem mandados e de se apropriarem das funções da corporação. A Polícia Civil vai apurar se houve crime de usurpação de função pública.

O caso ocorreu por volta das 17h. Segundo policiais civis, três PMs descaracterizados entraram em uma residência sem autorização em busca de armas. A casa, no entanto, já era observada por uma equipe da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), por suspeita de abrigar operações ilícitas.

Os agentes então questionaram os militares e todos foram encaminhados à 27ª DP. No entanto, ainda de acordo com policiais civis, os PMs foram embora do local antes de serem ouvidos pelo delegado de plantão e, mesmo após convocados, não haviam aparecido para prestar esclarecimentos na delegacia até as 22h30 desta sexta.

Em dura nota, o Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF) criticou a suposta atitude dos PMs: “Os policiais militares sem uniforme estavam de serviço, naquilo que a Policia Militar chama de serviço velado. Na verdade, trata-se de crime de usurpação de função pública, uma vez que compete aos policiais civis a investigação”, afirma o presidente da entidade, Rodrigo “Gaúcho” Franco.

O Sinpol-DF culpa ainda a PM pelo aumento da criminalidade na capital: “A prevenção ao crime não tem acontecido em razão de a Polícia Militar retirar das ruas, todos os dias, dezenas de viaturas que deveriam estar caracterizadas e centenas ou milhares de policiais militares que deveriam estar uniformizados e patrulhando as ruas”.

Por fim, o sindicato volta a afirmar que, com a conivência dos comandantes da corporação e do Governo do DF, a PMDF usurpa as funções dos policiais civis: “Não consegue resolver o problema da prevenção e ainda quer se imiscuir em investigar, coisa que não sabe, a exemplo de hoje”, finaliza o texto.

Versão da PM

A comunicação da Polícia Militar enviou uma nota explicando o ocorrido. No texto, a corporação informa que a ação dos PMs foi toda filmada, inclusive o momento em que proprietários da residência permitem a entrada da equipe. A assessoria detalhou a ação dos agentes de segurança pública no episódio. Segundo a versão, a equipe de inteligência do Batalhão de Policiamento de Choque (BPCHoque) foi checar uma denúncia sobre “uma casa onde haveria armas de fogo escondidas, inclusive com o nome do suspeito e as fotos das supostas armas”.

Quando chegaram ao local, os policiais ouviram disparos e avistaram um suspeito correndo do local. Ele foi detido. “Um suspeito foi visto correndo do local e foi detido. Os policiais fizeram contato com duas moradoras da casa do suspeito e ambas permitiram que fossem realizadas buscas na residência. Um vídeo gravado na ocasião mostra claramente o momento em que os moradores permitem a entrada das equipes.” Na sequência equipes da Polícia Civil interromperam o trabalho da equipe “questionando a legalidade das buscas”.

Ainda segundo a nota, os policiais civis levaram o susspeito embora em um carro da corporação. “O comando da Polícia Militar foi informado sobre o ocorrido e determinou que o fato fosse registrado no Departamento de Controle e Correição da PMDF a fim de preservar provas, especialmente as filmagens realizadas pelos policiais militares.” O p´roximo passo será a instauração de um inquérito na corregedoria da corporação “para que as condutas praticadas pelo Delegado e agentes que interferiram na ação da PMDF sejam investigadas”.

Atrito entre as corporações

Em fevereiro deste ano, um agente da Polícia Civil e um policial militar discutiram na 20ª Delegacia de Polícia (Gama) durante o registro de uma ocorrência. Segundo a Polícia Civil, os PMs levaram à delegacia dois suspeitos de roubar uma moto – um adolescente e um adulto. No entanto, a testemunha teve dúvidas de que eles realmente eram os autores do crime. Por esse motivo, os agentes não conseguiam dar sequência ao registro da ocorrência.

Na versão dos militares, os agentes estavam dificultando o flagrante. Além disso, os suspeitos estavam feridos, pois, de acordo com a PM, reagiram à prisão. O agente, então, teria ouvido primeiro o suspeito antes de ouvir os militares e também insinuado que o homem teria apanhado dos policiais que o capturaram.

Nesse momento, um soldado e o agente começaram a discutir e a se agredir verbalmente. Segundo a PM, o policial civil chamou o militar de “soldadinho de merda” e os dois precisaram ser apartados para não partirem para a agressão física.

Fontes: Pedro Alves – Metrópoles /Alessandra Modzeleski – Especial para o Correio