Após a omissão do maior jornal do DF por alguns dias, e a pressão de leitores por informação e não manipulação, hoje o Correio decidiu “informar” os leitores divulgando detalhes da política local.
Gostaria que divulgassem de forma mais detalhada, mas já é um bom começo.
Gostei dos posts do Noblat em seu blog, quando criticou a omissão de nossos meios de comunicação.

Brasília, uma cidade sem imprensa

Seria possível cometer o prodígio de noticiar o mensalão do governo do Distrito Federal livrando a cara do governador José Roberto Arruda?

O Correio Braziliense, o principal e mais antigo jornal da cidade, provou que sim na sua primeira página.

Manchete da edição de hoje, sábado:

GDF e distritais são alvo de investigação

Sub-manchete:

PF e Justiça apuram suposto esquema de propinas a parlamentares

Texto abaixo da sub-manchete:

“A Polícia Federal apreendeu ontem computadores e documentos nas casas e nos escritórios de 16 pessoas suspeitas de envolvimento num esquema de pagamento de propinas a deputados distritais da base de apoio ao Governo do Distrito Federal. Entre os investigados estão secretários de estado, empresários e distritais. Denominada Caixa de Pandora, a operação da PF foi desencadeada por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após uma série de denúncias e escutas ambientais feitas pelo delegado Durval Barbosa, exonerado ontem do cargo de secretário de Relações Institucionais do GDF.

Barbosa também estaria envolvido no esquema e aceitou a proposta de delação premiada oferecida pelo Ministério Público para revelá-lo. Segundo o inquérito, o ex-policial, que ocupou cargos públicos no governo Joaquim Roriz e responde a processos por corrupção, teria gravado uma conversa com o governador Arruda em 21 de outubro. Ontem, todos os secretários e servidores do GDF citados na operação foram afastados dos cargos.”

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* “Entre os investigados…” – esqueceram Arruda.

* “Barbosa também estaria envolvido no esquema…” – e Arruda? Não?

* “o ex-policial (…) teria gravado uma conversa com o governador Arruda” – teria? Ele gravou. A transcrição da conversa está nos autos do inquérito – e nos mais importantes jornais do país.

Manchete da edição de hoje do Jornal de Brasília:

“Arruda exonera secretários”

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=brasilia-uma-cidade-sem-imprensa&cod_Post=245446&a=111

É vergonhosa a política no DF e merece um comentário aqui nesse blog. Passei o final de semana lendo os blogs, sites e ouvindo comentários de pessoas do governo sobre a situação atual dos governistas e a coisa é pior do que se imagina.
É interessante analisar o vídeo em que o governador Arruda, então deputado federal, recebe dinheiro de Durval Barbosa, delegado aposentado da polícia civil e dirigente de uma empresa estatal do governo anterior. Ao ver tal vídeo tirei algumas conclusões, que espero não ser levianas. A primeira delas é que o atual governo foi financiado por seu antecessor. A segunda é que o governador vinha sendo chantegeado por esse grupo.
Quem anda há alguns anos pelos bastidores da política conhece os atuais envolvidos de velhas datas. Fábio Simão por exemplo foi assessor do ex-senador (cassado) Luiz Estevão e braço forte do governo Roriz. Durval Barbosa é irmão do atual deputado distrital e também ex-delegado da polícia civil e ex-secretário do governo Roriz, Milton Barbosa.
Era estranho ver nomes como Júnior Brunelli, Eurides Brito, Odilon Aíres, Benício Tavares, Roney Nemer, Maciel (ex-secretário de saúde), dentre outros que sempre estiveram do lado do governo passado, apoiando e influenciando o governo atual.
Nunca entendi a força de Salvador Bispo, que sempre foi do PSD e aliado de Roriz, no governo atual. Era estranho ver material de campanha do candidato ao senado Roriz nos comitês do candidato ao governo Arruda. Mas tudo tem uma explicação…creio que ela chegou…
As escolas agradecem a melhoria da segurança com as empresas privadas de segurança…de quem elas são? Alguns funcionários afirmam que é do Dep. Leonardo Prudente…
E os contratos que eram da Fiança e passaram para as empresas de outra forte aliada que pertence ao DEM e comanda a área social no DF hoje?
São tantas coisas que deixa qualquer eleitor enojado…

Ana Maria Campos

Lilian Tahan

Publicação: 30/11/2009 08:14

Pelo menos oito dos 24 deputados distritais eleitos em 2006, além de dois suplentes, são citados no inquérito da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), como beneficiários de um suposto esquema de pagamento de propina em troca de apoio político ao Executivo. Essas citações constam de depoimentos, gravações de conversas do governador José Roberto Arruda (DEM) e do chefe da Casa Civil afastado José Geraldo Maciel, de depoimentos ou de vídeos gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa e entregues à Polícia Federal (PF). No Executivo, também há muita gente sob suspeita de ter recebido dinheiro desviado de contratos firmados pelo governo com empresas privadas.

Entre os citados no inquérito, além do próprio Arruda, que aparece em fita recebendo recursos de Durval, há ainda o vice-governador Paulo Octávio, apontado por Durval como beneficiário de dinheiro. O presidente das Organizações Paulo Octávio, Marcelo Carvalho, é citado como um dos operadores e beneficiários do suposto esquema e aparece em vídeo recebendo dinheiro no gabinete de Durval, no anexo do Palácio do Buriti. Na imagem, aparece a foto oficial de Arruda pendurada em uma parede, além de uma bandeira do GDF, o que indicaria que a entrega do dinheiro ocorreu durante a atual gestão.

Além de Carvalho, segundo depoimento de Durval no inquérito, o secretário de Obras, Márcio Machado; o ex-chefe de gabinete e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Domingos Lamoglia; o secretário de Governo, José Humberto Pires; e o ex-assessor de imprensa, Omézio Pontes; captavam recursos provenientes dos contratos de prestação de serviços, mudança de destinação de imóveis e venda de terrenos. De acordo com Durval, também participavam desse suposto esquema Renato Malcotti e Paulo Roxo, apontados como lobistas, além do chefe do escritório político de Arruda, José Eustáquio.

Distritais
De acordo com referências no inquérito, os distritais Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (PSB), Eurides Brito (PMDB), Aylton Gomes (PMN), Rôney Nemer (PMDB), Benício Tavares (PMDB), Júnior Brunelli (PP, corregedor da Câmara Legislativa) e Leonardo Prudente (DEM, presidente da Casa) recebiam dinheiro do esquema. Dois suplentes também são citados: Berinaldo Pontes (PP) e Pedro do Ovo (PRP). Prudente aparece em vídeo guardando dinheiro na meia e em todos os bolsos do terno — na ocasião, ele teria recebido R$ 50 mil. Brunelli e Eurides também têm imagens registradas, além do gerente do Na Hora, Luiz França.
Entre os integrantes do GDF, estão relacionados no inquérito do STJ o presidente do Instituto de Previdência, Odilon Aires, o chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão, e o secretário de Educação, José Luiz Valente — os dois últimos foram afastados da função. Também são citados como supostos beneficiários de dinheiro o corregedor do DF, Roberto Giffoni, e o secretário de Planejamento, Ricardo Penna.

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Brasília sangra

Ana Dubeux

As denúncias de um suposto esquema de propina para financiamento de campanha do então deputado José Roberto Arruda e do envolvimento de integrantes da cúpula do Governo do Distrito Federal, de deputados distritais e de um integrante do Tribunal de Contas do Distrito Federal estremece os três poderes da capital federal, escandaliza os brasilienses e deixa a cidade numa situação dramática. O vídeo com imagens de Arruda recebendo um maço de notas que lhe foi entregue pelo então presidente da Codeplan, Durval Barbosa, abre as veias de Brasília. É um dos momentos mais graves da história da cidade que ainda não fez 50 anos.

Apesar de tão jovem, Brasília já enfrentou tremores de terra em sua vida política. Nascida da vontade brasileira de fortalecer o sentido de Nação, foi construída sob pressão contínua da UDN, o partido de oposição a Juscelino. A capital da arquitetura e do urbanismo modernos quase virou ruína por força da má-vontade de Jânio Quadros. Brasília serviu aos propósitos do regime de exceção, o mesmo que decidiu consolidar a nova capital no Centro-Oeste.

Consolidada, a cidade participou ativamente da campanha das Diretas Já, pelo retorno ao Estado democrático e de Direito e alguns anos depois ocupou a Esplanada, com suas jovens caras pintadas, para forçar a saída de Fernando Collor de Mello. Brasília se dividiu ao meio entre o eleitorado de Joaquim Roriz e de Cristovam Buarque
Neste novembro negro, a menos de cinco meses de completar meio século, Brasília está sangrando. A cidade reage às denúncias, indigna-se com as imagens do então candidato ao governo supostamente recebendo propina. Há outros vídeos, nos quais Durval Barbosa entrega maços de dinheiro ao presidente da Câmara Legislativa, deputado Leonardo Prudente (DEM), aos deputados Eurides Brito (PMDB), Junior Brunelli (PSC), Odilon Aires (PMDB) e Benício Tavares (PMDB).

À Polícia Federal cabe investigar todos os males que sairão de dentro da Caixa de Pandora. À Justiça, punir os culpados. À cidade, estancar o sangue e reorganizar as forças para que possamos dar aos nossos filhos, nos 50 anos da capital, uma perspectiva de vida mais comprometida com os reais valores da cidadania e com o exercício de uma política decente.

PALAVRA DE ESPECIALISTA
Políticos inelegíveis
“Os políticos que forem expulsos de seus partidos neste momento ficam impossibilitados de concorrer às eleições de 2010.Quem for expulso agora ficará sem legenda e não há mais prazo para fazer a filiação, já estamos a menos de um ano das eleições. Embora permaneçam com o direito político, já estão inelegíveis”,

Luís Carlos Alcoforado, advogado especialista em legislação eleitoral, se referindo ao Artigo 9, da Lei nº 9.504, de 1997, que define que, para concorrer às eleições, o candidato deve estar com a filiação deferida pelo partido pelo menos um ano antes do pleito eleitoral.

Pior do que ver toda essa corrupção é ver o nome de Deus envolvido nisso, o descaramente de alguns extrapola minha compreensão. É triste ver pessoas que se julgam “separadas” se deixar levar pela ganância. Como Cristão sinto-me envergonhado ao ver três “evangélicos” nessa situação: Brunelli, Eurides Brito e Leonardo Prudente!!Sem falar em Benedito Domingos que não aparece até o momento nas filmagens, mas é citado!

Presidente do PSC condena “oração da propina” de Brunelli

Publicação: 30/11/2009 12:18 Atualização: 30/11/2009 12:58

Recém-empossado presidente do Partido Social Cristão (PSC), o senador Mão Santa (PI) recebeu com indignação as informações sobre as imagens do deputado distrital de seu partido, Rubens César Brunelli, recebendo dinheiro de um suposto esquema de

“Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos, mas o seu sangue nos purifica”, diz o distrital. A oração dura cerca de dois minutos. Nela, Brunelli pede ainda “cobertura contra as investidas de homens malígnos contra a vida de Durval”. O vídeo foi divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo.

O senador Mão Santa regiu: “Ele está onde não deveria estar. Nosso partido é de Cristo. Ele conhece a bíblia. Não sabe que o oitavo mandamento de Deus é não roubar?”. O presidente do partido diz que vai cobrar punição não só no PSC, mas também aos integrantes de outras legendas citadas no esquema, caso haja comprovação.

A assessoria do deputado Rubens Brunelli disse que ele estava de licença médica, só retornou hoje para Brasília e espera tomar conhecimento de todo o processo para se pronunciar.